Quem me acompanha aqui no blog ou me conhece pessoalmente sabe que sou superexposto a quase todos os filmes que eu quero assistir. Trailers vistos a exaustão. Matérias e posts lidos em tudo que é lugar disponível na internet. Com O Solista, foi bem diferente. Nada li, nenhum post anterior foi feito para o blog. Nem na lista dos filmes que queria ver na semana entrou. Com isso, entrar a esmo naquela sala e me deparar com uma das melhores experiências cinematográficas dos últimos tempos, rendeu a surpresa do ano.
O Solista centra sua história em duas personagens. Steve Lopez, colunista do LA Times que descobre numa praça o músico Nathaniel Ayers Junior, esquizofrênico, sem-teto e dono de um genial talento. Lopez com o intuito de gerar uma matéria se envolve com a história de Nathaniel e, gradativamente, as vidas vão se entrelaçando e se interligando de maneira definitiva.
A genialidade dessa história toda fica por conta de Joe Wright, Robert Downey Jr e Jamie Foxx. O primeiro, diretor do filme, consegue conduzir essa história sem cair na simples piedade por Nathaniel e criando, com rara sensibilidade cenas lindas. Cada diálogo entre os dois, por mais entrecortado e truncado que sejam pelas óbvias dificuldades, é recheado de aulas de relacionamento humano.
Além disso, a visão da obra é clara: é um filme sobre música. Ela é o centro das atenções e nos provoca as melhores imagens. Closes nas mãos de Foxx, nas cordas dos instrumentos e as diversas apresentações das orquestras, envolvem o filme e, por conseguinte, o espectador, imerso nesse universo clássico de Ludwig van Beethoven (a obsessão de Nathaniel).
Marcante também na obra é a cena com a primeira apresentação de orquestra que Sr. Lopez leva Nathaniel. Ao invés de mostrar as emoções dos atores, o diretor optou por uma experiência com linhas abstratas e cores, sempre acompanhando o que é tocado. O resultado é uma vivência ímpar da música, com a clara sensação de que a musica toca o espectador não apenas auditivamente, mas também visualmente. Uma liberdade poética linda e impossível de se descrever.
Por fim, Jamie Foxx e Robert Downey Jr. Dois grandes nomes, dois talentos (Downey Jr, por sinal, dando claros sinais que está de volta melhor do que nunca). Interpretações fortes, personagens com alta carga dramática, e um incrível poder de retenção da atenção do espectador. E, o que é mais difícil de ver, com alto grau de realismo. Por mais que sejam estereótipos a principio – o jornalista em busca da personagem perfeita e o esquizofrênico – ambos, graças ao seu talento, acabam conferindo uma humanidade sem tamanho e deliciam o espectador.
Grata surpresa do ano, O Solista é dos filmes com maior sensibilidade dos últimos anos. Sem dúvida alguma, uma experiência indispensável para quem gosta de um bom filme. Impecável.


Se você parar e olhar o histórico dos filmes de ETs, vai notar que eles têm um senso de geopolítica e de história incrível. Torre Eiffel, Casa Branca, Empire State. Nada escapa dos raios mortais dos nossos amiguinhos verdes. Neill Blomkamp, com o aval de Peter Jackson, no entanto, acaba de colocar isso por terra com seu Distrito 9.





