Blindness – uma obra-prima

Após muita espera, muitos posts e twittadas, finalmente chegou ao Brasil a adaptação para o cinema de Ensaio sobre a Cegueira, famoso livro de José Saramago. A difícil tarefa ficou nas mãos do brasileiro Fernando Meirelles. Muito se falou desse filme na imprensa mundial. A presença de um brasileiro, seu elenco estelar, a fraca aceitação em Cannes, as diversas edições, tudo isso contribuiu pra elevar mais e mais as expectativas em torno do filme.

As impressões, por fim, não poderiam ser mais positivas. Antes, o enredo (se é que algum leitor aqui ainda não saiba): uma epidemia de uma cegueira branca atinge a população e o governo, sem saber a causa e a cura, passa a trancafiar essas pessoas, com medo de epidemia. Desse ponto surgem os conflitos. Pessoas extremamente diferentes trancafiadas em condições piores que as de animais e ainda por cima sem enxergar nada.

Toda essa situação cria um ambiente angustiante habilmente retratado pelo diretor. Sempre com uma fotografia e uma iluminação muito branca, que chega a desaparecer com alguns detalhes, nos expondo ao incômodo da cegueira branca.

Dentro daquele ambiente, as atuações ganham destaque. A primeira delas, a mais visceral, a mais intensa é justamente da personagem que enxerga: a mulher do médico. Julianne Moore encarna o sofrimento e a capacidade de se anular pelo próximo de uma maneira bastante incrível. Seu marido, vivido por Mark Rufallo, é a encarnação do bom-mocismo – apesar de uma das cenas mais impactantes mostrar o contrário.

Gael García Bernal, por sua vez, mostra por que é visto pelo mundo como um dos maiores expoentes latino-americanos. Seu Rei da Ala 3 é de uma crueldade ímpar, mas sempre com bom-humor. Outro destaque positivo fica por conta da brasileira Alice Braga. Com sua intensa beleza e talento, faz de sua rapariga uma personagem extremamente marcante.

Interpretações muito fortes, fotografia e iluminação impecáveis e a mão firme e segura de Meirelles fazem dessa difícil adaptação uma obra-prima. Algumas de suas cenas provocam tamanho impacto no público que é bem difícil sair do cinema sem lagrimas nos olhos – ou por todo o rosto. Uma intensa experiência sensorial. Valeu cada segundo de espera.

4 responses

  1. Cassita

    Ler seu texto me deu o mesmo arrepio que senti durante o filme inteiro. Fato: Fernando Meirelles conseguiu reproduzir mto bem uma obra-prima. E quem se importa com aceitação em Cannes? hahahahaha

    15/09/2008 às 10:14 PM

  2. Pedro Medeiros

    Minha turma vai sabotar a aula hoje para ir ao cinema assistir esse filme. =)

    16/09/2008 às 10:37 PM

  3. vini :]

    preciiiso ver esse filme, não passa desse findi. Legal seu blogo🙂

    17/09/2008 às 6:47 PM

  4. Cecilia Barroso

    Grande texto!
    Confesso que quando li o livro pensei que seria impossível adaptá-lo para o cinema, mas era Fernando Meirelles que estava a frente do projeto e isso podia gerar um resultado interessante.
    No cinema descobri que o filme era muito mais do que interessante. O livro não estava ali diante dos nossos olhos, mas a alma dele sim.
    Obra-prima mesmo!

    18/09/2008 às 2:57 PM

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