O casamento para lá de multi

Em um primeiro momento, me surpreendi ao perceber que “O Casamento de Rachel” (de Jonathan Demme, diretor do “Silêncio dos Inocentes”), mesmo com a indicação da protagonista como melhor atriz ao Oscar, estava disponível em poucas salas de cinema em São Paulo. Depois de assistí-lo, notei que longe de ser um blockbuster americano como as outras produções em que Anne Hathaway (de O Diabo Veste Prada) participou, o filme traz uma proposta do cinema independente para o gosto de poucas pessoas.
O registro informal das cenas feitas com uma câmera nas mãos exibe ângulos que trazem ares de documentário ao drama que mostra como um casamento pode reabrir velhas feridas em uma família. No roteiro pouco inovador, os conflitos se iniciam quando Kym (Anne Hathaway), uma ex-viciada, retorna da clínica de reabilitação para ir ao matrimônio da irmã mais velha. Frágil e com os sentimentos à flor da pele, a ovelha negra da família continua com o desejo de ser o centro das atenções.
Nos preparativos da festa multirracial, a ex-viciada comete vários deslizes com destaque para a cena em que pega o microfone para falar de si própria em um momento em que os padrinhos contam sobre situações marcantes dos noivos no passado. Apesar das atitudes inconvenientes, Kym não tem nada parecido a um comportamento rebelde, pelo contrário, afetuosa, a personagem ainda resiste ao seu próprio perdão e se culpa muito por ter provocado um acidente de carro que levou a morte de seu irmão caçula.
Além dos contrastes entre a família conflituosa e o casamento espiritual que estava para acontecer e, a excelente atuação de Anne, o filme nada mais traz de interessante chegando a ser cansativo. Sem qualquer sentido, o casamento da Rachel com um homem sem graça tenta ser ecumênico e multicultural, com referências hinduístas, budistas e mais outras filosofias… Para se ter uma idéia, a mistura também aconteceu no repertório musical do casório que teve reggae, rock e até uma escola de samba brasileira com direito a passista. Enfim, uma bagunça….
Outro detalhe que não poderia deixar de citar e que chama a atenção é a estrutura familiar. Os pais são separados e já vivem com outros cônjuges, sendo o pai excessivamente preocupado com as filhas, especialmente a problemática Kym e a mãe super ausente, deixando até que a madrasta cuidasse mais dos preparativos da festa de casamento que a própria mãe.
Enfim, o drama quase um documentário sem graça pode fazer até com que o público se identifique com algumas situações já vividas na vida real e divirta-se!
O Casamento de Rachel
(Rachel Getting Married, 2008)
Direção: Jonathan Demme
Elenco: Anne Hathaway, Rosemarie DeWitt, Mather Zickel

3 responses

  1. jeff

    Não me apaixonei pelo filme, mas o acho bem acima da média, principalmente pelo elenco, que é a melhor coisa do longa. Apesar de coincidir com a proposta, algumas cenas achei arrastadas demais. No geral, porém, é ótimo.
    Não creio que o casamente seja uma “bagunça”, como disse. Desculpe, mas tratá-lo dessa forma e chamar o homem de “sem graça” foi bem pejorativo e não me agradou muito. Um casamento multirracial não precisa ter sentido nenhum, simplesmente é um casamento e pronto. Aliás, esse é uma das coisas que gosto no filme.
    Também não consigo me divertir com o filme. É duro demais.

    []s! E amei o layout do blog!

    07/03/2009 às 1:16 AM

  2. Cycy

    Sim, nao eh um filme Blockbuster, muito longe de ser uma super producao americana, e talvez seja esse o motivo que me chamou tanta atencao no longa. Achei interessantissima a ideia do casamento multirracial, ou seja, nao concordo quando voce o define como “bagunca”. Tambem sei que voce nao quis ser pejorativa quando chamou o noivo de “sem graca”, mas devo confessar que ficou meio estranho. Por outro lado, concordo que muitas vezes o filme tornou-se repetitivo, beirando ao “bored”, mas nao posso negar que a interpretacao S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L de Anne Hathaway, valeu os 113 minutos que fiquei sentada em frente a “telinha” do meu laptop.

    13/03/2009 às 12:52 PM

  3. Luciana

    Cy
    A bagunça que me refiro é pelo exagero na mistura de culturas em um mesmo casamento e não de raças. Quanto ao marido sem graça, temos que concordar que o personagem foi muito pouco desenvolvido e está apagado no filme.

    13/03/2009 às 4:46 PM

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