A tal história do fim

Pense em um namoro longo. Daqueles que os namorados sabem tudo um do outro. Daqueles que os amigos não lembram mais como eles eram quando solteiros; daqueles que não precisa mandar convite para os dois para uma festa, porque afinal de contas estão sempre juntos e fazem tudo juntos… Agora imagine que eles nunca pararam para pensar o que seria a vida após o namoro. Quero dizer, pensar que o relacionamento acaba e cada um continua sua vida, independentes. Mas por que pensar nisso, se está tudo tão bom?
Até que ela pensa. Ela quer conhecer o mundo, sabe? Sou nova e sei que tenho muito para ver no mundo. Vou sentir sua falta, mas tenho outras coisas para viver… E o que até então parecia um namoro estável e comum, acaba. “Apenas o fim” é o filme de Matheus Souza, aluno da PUC do Rio de Janeiro, que trata exatamente deste assunto. Matheus quis trazer para as telonas a vida de um casal de jovens universitários, e todas suas referências culturais.
Fui assisti-lo com meu namorado. Rimos em todas as cenas parecidas e comuns de namorados, e chorei no fim, com a inevitável separação do casal, que já se presumia desde o início. O filme trouxe uma nova referência para a cara do cinema brasileiro: após a quase esgotada fórmula favela-polícia-Rio de Janeiro, o cineasta resolveu abordar um tema universal que se passa aqui, com um casal que poderia estar em qualquer lugar do planeta.
O diferencial é que o filme se trata de um projeto de Matheus com seus colegas de PUC. Em seu primeiro longa-metragem, ele utilizou o equipamento da Universidade, a história também se passa lá e os atores são todos convidados e fazem parte da nova geração do teatro e cinema brasileiros. Erika Mader e Gregório Duvivier são os protagonistas e Marcelo Adnet, Nathália Dill, Álamo Facó, Anna Sophia Floch e Julia Gorman fazem participações especiais. Acredito que isso tenha colaborado para este frescor que o cinema ganha com produções deste tipo.
Além disso, o filme tem o algo encantador que é a vida a dois. Aquele conforto de ter alguém para dividir suas angústias, para dividir um tempo entedioso, para curtir algo sensacional que possa acontecer nas nossas vidas. E tem o beijo, o sexo, a alegria. Nós fomos feitos para viver junto com alguém, e este é o tipo de verdade incontestável. Vale a pena assistir.

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