Não minha filha, você não irá dançar

Que sou fã de musicais não é segredo para ninguém. O que poucos conhecem é que um dos meus favoritos é um musical francês, de 2007, chamado Canções de Amor. O filme, de Christophe Honoré, contava a vida sentimental confusa de Ismael, interpretado pelo galã local Louis Garrel. Assim, dar de cara, por um acaso, com a nova obra do diretor, Não minha filha, você não irá dançar, foi sim uma grata surpresa.

O filme centra na vida de Lena, uma mãe de dois filhos que está em processo de divorcio com Nigel. Para fugir dos seus tormentos ela viaja com as crianças para a casa de seus pais, e lá é obrigada a conviver com as intromissões não apenas de seus pais, mas também de seu irmão e sua irmã, todos numa tentativa de controlar sua vida.

O que parece um filme extremamente angustiante, na verdade é uma obra extremamente delicada graças ao enorme talento de sua protagonista, vivida por Chiara Mastroianni, filha de ninguém menos que Catherine Deneuve e Marcello Mastroianni. Além dela, o elenco também conta com o astro do musical, Louis Garrel, numa breve participação como o affair de Lena, Simon.

Outra grande força da obra de Honoré são seus diálogos. Apesar de aparentemente leves, totalmente envoltos em situações cotidianas, são carregados de mensagens sobre relacionamentos humanos.

Aliás, numa observação mais detalhada, os relacionamentos da família de Lena sintetizam as diversas etapas que ele pode passar: o início, com o irmão que pretende se casar; o desgaste, com a crise de sua irmã e o cunhado, o fim e o recomeço, com ela própria e a eternidade, com o carinho de seus pais. Essa imagem dos relacionamentos, aliás, resume exatamente o que é o filme: uma análise, com diversas vidas acontecendo em paralelo do que é o verdadeiro amor. Mais uma vez, Honoré e a França como mestres do amor. Apaixonante.

2 responses

  1. Uma análise superficial do filme, poderia afirmar que se trata de uma história parada, mas de acordo com essas observações, “Não minha filha, você não irá dançar” ganha outra perspectiva muito mais interessante. Além do mais, conflitos familiares sempre são a boa pedida para quem gosta de dramas.

    27/01/2010 às 1:17 PM

  2. Uma decepção o filme, certamente. A primeira metade mais sem-graça que o Honoré jamais fez. Ainda assim, dois ou três momentos bons, que me interessam.
    Dançar e morrer, somente.

    30/01/2010 às 5:46 PM

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s