Nine

Já falei uma vez, num blog antigo, que musicais não possuem meio termo: ou você ama ou você odeia. Como representante do primeiro time, fiquei empolgado com o anúncio de Nine. Rob Marshall, reconhecido por Chicago (que junto com Moulin Rouge restagou esses filmes do limbo), reunindo um time de divas do cinema em torno do seu novo projeto. Um filme, vinco do clássico 8 e ½ de Fellini.

O resultado que chegou ás telas, porém, é bastante irregular. Mas antes, ao filme: Nine se foca em Guido Contini, vivido por Daniel Day-Lewis, um cineasta em plena crise criativa. Ao seu redor gravitam sete grandes mulheres: a esposa (Marion Cottilard), a amante (Penélope Cruz), o fantasma da mãe (Sophia Loren), a amiga (Judi Dench), a jornalista americana (Kate Hudson), a musa de seus filmes (Nicole Kidman) e a prostituta de sua infância (Fergie).

Falta ao filme, porém, uma linha que integre essas estrelas todas. Tal papel caberia à Day-Lewis. Porém, o ator demonstra uma surpreendente inexpressão e o resultado é uma série de tramas individuais, umas melhores e outras piores, mas sem uma intersecção interessante.

Com relação às estrelas e seus números musicais, é possível dividir em dois grandes grupos. O primeiro deles reúne os números que particularmente não me empolgaram. Sophia Loren e sua interpretação zero pelo excesso de plásticas, Fergie e seu número carregado, porém nada empolgante e, a decepção maior do filme: Penélope Cruz. Apesar de linda e da interpretação latina que lhe é característica estar toda lá, o número musical é coreografado demais e não traz a sensualidade esperada.

Na outra ponta estão Kate Hudson e seu momento luz e leveza no filme, Judi Dench, com todo seu talento, Nicole Kidman que, apesar de também claramente perder expressões, quando canta assume para si a cena e cria imagens e sensações lindíssimas (para mim, aliás, ninguém hoje em dia tem tal poder de atrair a câmera para si e esse ar diva como Kidman na atualidade). E a maior de todas, Marion Cottilard. Que ela é fantástica já era um fato. Que sua interpretação seria incrível, também. Mas seu destaque maior são os dois números musicais. O primeiro, de um sentimento e singeleza assustadora e o segundo deles, trazendo uma mulher forte e extremamente sensual (algo que poucos esperavam dela). O resultado? Apesar do que diz o Oscar, o filme é dela.

E isso é Nine. Números incríveis. Outros nem tanto. Mulheres incríveis. Um ator nem tanto. E essa eterna irregularidade faz, infelizmente, o filme ser esquecível.

Ah, se quer saber mais sobre o filme, leia aqui e aqui dois textos bem legais.

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