A Single Man

Qual o verdadeiro ofício de Tom Ford? Mais que renomado estilista, decidiu se meter a fazer cinema. E nada de ponta atuando em filme alheio. Ford ambiciosamente se lançou como diretor em uma obra difícil: A Single Man (e eu me recuso a chamar pelo nome péssimo em português: Direito de Amar).

Baseado no texto de Christopher Isherwood, o filme conta o sofrimento de George Falconer, um professor universitário gay que vive o sofrimento da perda de seu companheiro de 16 anos, Jim, em um trágico acidente de carro. O drama que se passa em um dia de 1962, em Los Angeles, porém peca em sua instabilidade.

Ford, apesar de bem intencionado não é bem sucedido como diretor. O filme, apesar do roteiro bem escrito de Ford e David Scearce, sofre na montagem que torna o filme bastante instável a ponto de não envolver o espectador no drama de George.

Apesar disso, o filme tem dois méritos: Julianne Moore e Colin Firth. A dupla, reconhecidamente bastante talentosa dá um show em seus papéis. Julianne, apesar da curta participação confere um drama para sua Charlotte que, qualquer deslize de atuação, tornaria a personagem ridícula demais. Firth por sua vez foi magistral ao levar o sofrimento de sua personagem de maneira tão intensa. É impossível não sentir a dor da perda que o ator transmite.

Mas, não se pode negar um mérito de Tom Ford na obra: o olhar clínico para a beleza. O primeiro delas é a escolha dos cenários. A casa de George é linda, a de Charlotte também e mesmo os ambientes de época são impecáveis. Outro ponto é o elenco coadjuvante. Impossível não admirar a beleza de Matthew Goode, Nicholas Hoult e Jon Kortajanera. E claro, os figurinos, sempre impecáveis (impossível não babar no vestido de Julianne Moore na cena do jantar).

A Single Man não é o melhor filme da temporada, definitivamente. Tom Ford se aventurou como diretor e se mostrou bastante falho. Mas acertou em uma coisa. Beleza. A Single Man é um filme bonito. Como tudo que Ford toca.

3 responses

  1. cinebuteco

    Eu não sei… esperava muito menos pelo filme e me surpreendi… Os takes parecem ter sido escolhido a dedo… não tem uma cena fora de lugar… e aquela cena da menina dançando na calçada, pra mim, é uma das melhores da temporada.

    09/03/2010 às 11:04 PM

  2. Achei o filme ótimo. De uma profundidade e sutileza que exigem atenção redobrada.

    16/03/2010 às 2:26 PM

  3. Larissa

    Antes de ir ao cinema, li a crítica de forma rápida e achei q veria uma obra prima…Puro engano. Me senti em um desfile de moda. Lindas pessoas, lindas cenas, cenários impecáveis. A história ? Muito flash back, slow motion, clichês, diálogos rasos, ah, sim, quase ia me esquecendo, trilha sonora dramática para a cena cuidadosamente elaborada da menina de azul. Bem, o visual é bacana. Mas e a emoção? None.

    04/04/2010 às 10:00 PM

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