Entre Irmãos

No ano que premiou um filme que pseudo-humaniza a guerra (afinal, transformar em heróis não é humanizar), a chegada de Entre Irmãos aos cinemas é uma opção de respiro um tanto quanto mais real.

Com direção de Jim Sheridan, a obra centra na vida de três personagens: o marine Sam, sua esposa Grace e Tommy, ovelha negra da família e irmão de Sam. O primeiro está as vésperas de voltar para a guerra do Afeganistão (o filme se passa na transição de 2007 para 2008) e deixar no país a mulher e duas filhas pequenas. Tommy por sua vez, acaba de ser colocado em condicional da prisão que cumpria por roubar um banco.

A queda do helicóptero de Sam no país, porém, acaba por aproximar Tommy e Grace, ambos em busca da reconstrução de suas vidas. O que ninguém esperava era que Sam tivesse sobrevivido à queda e às torturas afegãs e retornasse para sua casa. E é nesse ponto exato que o filme ganha sua redenção.

Explico: para quem assiste, a sensação do óbvio Sam volta e Grace fica dividida, mas fica com Tommy é clara. Isso ainda mais se levar em consideração o fato de o marine ter voltado extremamente abalado e desestabilizar a estrutura alegre que existia até então.

Mas Sheridan não recorreu a essa solução fácil e detalhou cada um dos conflitos que envolve o trio principal, o trauma das duas filhas e o amargor do pai dos dois, um veterano da Guerra do Iraque que se orgulha de Sam e se envergonha de Tommy.

Entretanto, essa construção feita pelo diretor e seu roteiro só foi possível graças ao talento do trio de protagonistas. Jake Gyllenhaal, além da descomunal beleza, possui o talento que vem no sobrenome. Natalie Portman, por sua vez, se mostra bem mais madura como atriz e mulher e faz o sofrimento de sua personagem ser bastante convincente e cheio de nuances. Mas é Tobey Maguire quem traz a grande surpresa do filme. Tirando quando sorri e fica com cara de Peter Parker, o ator mergulhou a fundo no papel e as cenas de maior carga dramática confirmam sua indicação ao Globo de Ouro.

Entre Irmãos, apesar do nome infeliz (e Brothers, no original, não valoriza mais o filme), consegue fugir do óbvio esperado de um drama e surpreende pela reflexão e pelo poder de não deixar o espectador tomar um partido dicotômico. Um mérito, sem dúvida.

One response

  1. Simone

    O filme é mesmo de tirar o fôlego e toca em questões profundas da natureza humana. Se em determinada circunstância uma pessoa é capaz de matar um amigo para sobreviver, o que faz com que essa mesma pessoa acredite que, em um dado momento, a pessoa que ela mais ama jamais a trairia? Ao meu ver a reflexão do longa em torno dessa pergunta é o ponto alto da história! Imperdivel!
    Ah! Foi ótimo er o filme com você Dé!
    Bjos

    12/03/2010 às 6:45 PM

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