Guerra ao Terror

A construção de um filme de guerra segue a linha ‘batalha entre americano desbravador contra o indígena local’. De um lado mocinhos, imbuídos de uma missão nobre contra vilões pouco civilizados. Nos tempos de politicamente correto, porém, essa dicotomia pode ser substituída por personagens dos dois lados com características boas e ruins, confundindo o espectador.

Dentro dessa divisão, em que se encaixa o filme ganhador do Oscar 2010, Guerra ao Terror? Em nenhuma delas. O filme, direção da ex-mulher de James Cameron, Kathryn Bigelow, centra nas ações de um trio especial entre os militares do Iraque focado na desativação de bombas. Eldrige é um jovem que vive o conflito de estar na guerra e o sofrimento que isso causa. Sanborn é a parte racional do trio. James, por sua vez, representa todo o risco e a insanidade que estar naquela situação representa.

E é em cima desse trio e suas situações-limite que a trama se desenvolve. E aqui já surge o primeiro problema do filme: ele não se desenvolve. Algumas poucas situações emendam as histórias, como o conflito entre James e Sanborn ou o pequeno iraquiano Beckham, mas, de um modo geral, são apenas flashes das vidas dessas personagens, com fracas conexões.

Essa situação resulta em personagens mal evoluídas e baixa identificação de quem assiste. Não é fácil se ligar aos dramas dos soldados americanos (talvez para os americanos, que vivenciaram a situação seja mais simples). Por outro lado, os iraquianos são apenas pessoas sem nome e sem personalidade, sem qualquer relação direta com a história a não ser o fato de ser seu país o cenário das ações.

A premiada direção de Bigelow também não mostra a que veio. Algumas belas cenas de guerra são sim construídas, mas, alguns breves momentos como o gato manco ou mesmo a cápsula de bala em câmera lenta que aparecem aleatoriamente no filme, tornam a construção um tanto estranha e sem personalidade. A sensação que passa é que boas cenas foram gravadas e elas deveriam ser encaixadas a qualquer custo.

O ponto alto do filme, e grande mérito da obra, fica por conta de Jeremy Renner. Ignorando seus últimos cinco minutos de filme (em um final feito apenas para balançar bandeirinhas ianques no cinema), sua personagem James e sua sede de adrenalina e desafio acaba se destacando. Uma interpretação bastante realista, com mudanças entre o militar obsessivo e um ser humano fragilizado, acaba criando uma personagem divertida e bastante estimulante.

Mas não basta. Guerra ao Terror é sim um filme extremamente esquecível e passaria completamente batido na história não fosse a conveniência do momento. Em tempos de grande destaque um filme extremamente fantástico, era a obra que a academia queria para trazer realidade à sua premiação.

2 responses

  1. cinebuteco

    Não achei o filme assim tão fraco ao ponto de dizer que é esquecível, mas fato é que sua direção é lenta e o oscar de melhor filme é bem questionável. Ainda sim, acredito que seja (muito) melhor que o vencedor do Oscar 2009. Quem Quer Ser Um Milionário?, este sim, é totalmente uber-estimado.

    24/03/2010 às 12:12 AM

  2. Pingback: Tweets that mention Crítica – Guerra ao Terror « Além da Ficha Técnica -- Topsy.com

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