Coração louco, mas quase parando.

Por Victor Gouvêa

É estranho assistir a um filme com a sensação constante de déjà-vu. Isto mostra, logo de cara, que originalidade não é uma preocupação. Com o desenvolvimento da trama, não há nenhuma surpresa, pelo contrário: a previsibilidade se torna cada vez mais frequente e o enredo não provoca, não instiga, não seduz, nem ao menos incomoda.

Tudo isto é muito espantoso, visto que estamos falando de “Coração Louco” (‘Crazy Heart’/2009; Dir. Scott Cooper), indicado a 3 Oscars – melhor ator para Jeff Bridges, melhor atriz coadjuvante para Maggie Gyllenhall e melhor canção. De fato, as atuações de Jeff Bridges e Maggie Gylenhall são notáveis, trazendo, aliás, o filme para outro patamar. Mas a recorrente comparação com “O Lutador” (‘The Wrestler’/2008; Dir. Darren Aronofsky) é inevitável.

Ambos contam a história de um profissional que teve muito sucesso um dia, mas amarga o mais puro fracasso, acabando entregue às drogas/bebidas alcoólicas e chegando ao fundo do poço. Tanto em um quanto em outro, o protagonista tem sua superação alavancada por um grande amor (neste filme uma jornalista que se interessa por sua vida, vivida por Gylenhall) e tem problemas de relacionamento com um filho. Ambos personagens são ríspidos, rudes, mas com um toque de sensibilidade que é revelado no decorrer da trama. Um é lutador, outro é músico. Um é Mickey Rourke, ganhador do Globo de Ouro, indicado ao Oscar; outro é Jeff Bridges, ganhador do Globo de Ouro, indicado ao Oscar.

Por que, então, um filme tão inexpressivo e repetitivo figura como indicado a 3 Oscars, o maior prestígio da indústria filmográfica? Pelo bom e velho ranço da Academia, pelo americanismo exacerbado, pela trilha envolvente e pela surrada temática de superação que ainda agrada à maioria, mesmo que mal contada e repetitiva. Neste caso, embalada por músicas Country, um dos símbolos da cultura sulista norte-americana e motivo de orgulho nacional, que acabou por conquistar a Academia na premiação deste ano.

Analisando os concorrentes, “Coração Louco” foi só mais um indicado que levou um prêmio de Melhor Ator. Nada mal para um filme que é só mais um filme, com mais uma história de superação e mais um enredo fraco.

One response

  1. cinebuteco

    Parabéns pelo texto Victor e boa sorte na parceria com o André… Gostei do filme, é claro que a história é um tano manjada, mas as atuações de Jeff Bridges e Maggie Gyllenhall valem o ingresso.

    07/04/2010 às 9:54 AM

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