O Segredo de Seus Olhos

Quando o Oscar foi anunciado e O Segredo de Seus Olhos, consagrado como melhor filme estrangeiro do ano, confesso um pouco de surpresa. Apesar do talento de Campanella, o alemão A Fita Branca arrancava aplausos por onde passava e era a aposta quase certa.

Mas após assistir o filme argentino, sua força ficou bastante clara. O filme, apesar do nome trazer para o imaginário um filme passional, é na verdade um thriller da melhor qualidade. Benjamin Espósito trabalha junto ao Juiz Fortuna. Graças à burocracia do judiciário, Espósito e seu parceiro Sandoval são colocados para investigar o estupro e o assassinato da jovem Liliana Coloto. Em paralelo, Espósito se apaixona pela colega recém chegada Irene.

Essa trama, em plena década de 70, é contada como um flashback de Espósito, agora aposentado, escrevendo o livro com o crime que atormenta sua vida até o ano de 1999. E é nessa trama que Campanella prende seu espectador. Espósito se envolve cada vez mais com o crime e o viúvo e sua vida passa a ser toda focada no crime.

O Segredo de Seus Olhos, além disso, encanta pelo seu primor técnico. Excelente reconstrução de época, de figurinos e, especialmente a maquiagem, que permite a manutenção do mesmo elenco nos dois papéis, com 25 anos de diferença, sem perder a passagem do tempo de todas as personagens.

Outro ponto bastante positivo são as atuações. O elenco todo, de protagonistas a coadjuvantes, se mostra bastante competente e talentoso, com destaque para Guillermo Francella, que constrói o contraponto cômico com seu Sandoval e, ao mesmo tempo que provoca as maiores risadas, cativa o espectador pela sua pureza.

Quando o filme chega num ponto que a sensação era a de que deveriam acender as luzes por começar a enrolar no roteiro, uma nova surpresa acontece e revela um desfecho de tirar o fôlego. O Segredo de Seus Olhos, apesar de não surpreender tanto o espectador quanto A Fita Branca (aliás, as surpresas não ganharam prêmios no Oscar 2010), é um filme bastante incrível e serve para nos mostrar que, caso o Brasil queira alcançar o Oscar, precisa retomar a qualidade mostrada em filmes como Central do Brasil. Uma obra primorosa.

One response

  1. Ainda não sei o que mais gostei nesse filme: se é a história policial, o romance ou a perseguição durante o jogo do Racing. Pra mim, top 5 de 2010 já. =)

    23/04/2010 às 5:25 PM

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