O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

Por Alexandre Weerth

Um grande tributo ao poder da imaginação.
O último filme de Heath Ledger.

Nada disso.

Mais importante do que todas as histórias contadas sobre o filme e que chamaram a atenção sobre ele, é o fato de “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus” ser um projeto claramente auto-biográfico.

O diretor Terry Gilliam, ex-Monte Python, passou por um grande período de azar no fim dos anos 90. Um dos seus projetos pessoais mais importantes, o filme “The Man Who Killed Don Quixote” (agora novamente em pré-produção), foi interrompido por problemas de locação, dificuldades financeiras e a doença do ator principal. Além disso, trabalhos cancelados e irrelevantes durante os anos 2000 acabaram levando Gillian a se tornar como a personagem Dr. Parnassus: um homem frustrado, fraco, e sem esperanças.
E é daí que nasce a força do filme.

Dr. Parnassus (Christopher Plummer) é o líder de uma companhia de teatro pobre e itinerante que percorre as ruas de Londres oferecendo, por algumas moedas, mais do que diversão: promete uma viagem aos sonhos e desejos mais íntimos. Basta pagar a entrada e atravessar um espelho mágico, aparentemente comum.

Parnassus, no entanto, esconde um segredo: um pacto com o diabo (sensacionalmente interpretado por Tom Waits), no qual sua filha Valentina (Lily Cole) ao completar 16 anos, será a moeda de troca. Com a proximidade da data, Parnassus tenta outras alternativas para driblar o pacto, contando para isso com a ajuda de Tony (Heath Ledger) um trambiqueiro enrolado com problemas de lavagem de dinheiro. A partir daí temos o desenrolar e clímax do filme.

Mais do que roteiro, fotografia ou direção, apenas a realização de Dr. Parnassus já o torna digno da máxima atenção. Fora isso, a solução encontrada por Gilliam para finalizar o filme mesmo sem a presença de Heath Ledger (morto no início de 2008, no meio das filmagens) acabou funcionando perfeitamente, como se já tivesse sido planejado. Johnny Depp, Collin Ferrell e Jude Law surgem dentro do tal mundo imaginário respeitando a construção de Ledger e, mais importante, complementam o carisma e talento do personagem manipulador Tony.

Os efeitos nunca são mais importantes que a história em si, e sim um acessório ou mais um canal, como mais uma personagem, para contar a história amarrada em um roteiro quase perfeito.

Como praticamente todas as obras do diretor, Dr. Parnassus joga o expectador nos limites do real e do surreal, provocando o público com cenas surpreendentes e um ótimo final. A cena do shopping, com mulheres ricas e bem vestidas enlouquecidas após a entrada no espelho, é fantástica. Uma clara sátira à sociedade do consumo, uma especialidade de Gilliam.

Em um momento no qual filmes de fantasia, como “Alice”, são mais um emaranhado de efeitos especiais sem nenhuma inspiração, Dr. Parnassus ultrapassa a fronteira entre a realidade e a imaginação, oferecendo a chance única de adentrar um mundo fantástico e desconhecido. Um filme para se ver várias vezes e sempre descobrir algo novo e interessante.

Publicado originalmente aqui. Post cedido com autorização do autor.

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