As melhores coisas do mundo?

Por Paula Lopes

O que fazer quando, aos 15 anos, você descobre que seu pai é homossexual, seu irmão está em depressão e a menina dos seus sonhos não dá muita bola para você? É isso o que Mano, vivido por Francisco Miguez, tenta mostrar em “As melhores coisas do mundo”, filme brasileiro com direção de Laís Bodanzky.

Se o filme parece ter um roteiro “novela de adolescente” por um lado, por outro ele surpreende na empatia que gera com o público. Todos já fomos adolescentes e vivemos situações muito parecidas com as que o protagonista do filme precisa lidar. Não é raro perceber na sala de cinema homens e mulheres rindo de coisas nem tão engraçadas, mas com as quais certamente houve uma identificação com um passado nem tão remoto.

Mano é um garoto que está começando a entender sobre sexualidade, mas que não se deixa envolver pelos amigos e prefere esperar pela menina certa (ou não tão certa assim) para ter sua primeira vez. Ele é um adolescente que tem em seu irmão mais velho um espelho, que confidencia tudo pra sua melhor amiga, Carol – apaixonada pelo professor de física do colégio (Caio Blat), e que sente na própria pele o sofrimento causado pela juventude inconseqüente e fofoqueira de sua escola. E mais…Mano quer ser um guitarrista famoso! Típico sonho adolescente, não?

Por sinal, aí surge um dos outros bons pontos do filme: a música. Colocar um garoto de 15 anos gostando de Beatles é muito mais bacana do que continuar batendo naquela tecla das bandinhas de pop rock modernas. Ás vezes, ouvimos tanto do fanatismo dos jovens por tais bandas que nos esquecemos do gosto que muito têm por grupos clássicos do rock internacional. Assim é Mano, louco por aprender com seu professor de violão (Paulo Vilhena) a tocar “Something”, uma das mais famosas da banda de Liverpool.

Apresentando muitos atores iniciantes, “As melhores coisas do mundo” foi feliz na escolha do elenco. Mesmo com toda a atmosfera escolar e juvenil em que a maioria da trama se passa, os novatos mostraram que lidar com problemas não é coisa só de gente grande. Com a ajuda de Denise Fraga, Caio Blat, Paulo Vilhena e Zé Carlos Machado o a narrativa teve um desenrolar dinâmico e bastante atrativo para quem busca uma sessão de pura descontração.

O final, feliz com tem de ser, representa muito mais do que o fim. Os problemas de Mano não acabam realmente, ele só aprende a conviver com eles. Vê na família a sustentação para tudo (mesmo que não haja mais uma unidade familiar), e entende que o primeiro amor pode estar bem mais perto do que ele imagina. Juntamente com o protagonista, nós (re)aprendemos que as melhores coisas do mundo são aquelas válvulas de escape em meio ao verdadeiro celeuma da vida da gente e que, pra ser feliz, só basta levarmos tudo numa boa.

2 responses

  1. Pingback: Tweets that mention Onde estão as melhores coisas do mundo? « Além da Ficha Técnica -- Topsy.com

  2. Adorei o texto!
    Mas contém spoilers… 😉
    Fabio Allves

    18/05/2010 às 2:41 AM

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