Posts tagged “Ewan McGregor

O Golpista do Ano

Um cartaz ridículo e uma tradução horrorosa dão as boas-vindas para O Golpista do Ano. Apesar de ter nas mãos três atores incríveis – com destaque absoluto para a atuação de Ewan McGregor – os diretores e roteiristas Glenn Ficarra e John Requa não souberam extrair o melhor. O filme é divertido, sim, mas não passa disso. É daqueles títulos que provavelmente não vai passar nem na Sessão da Tarde de um dia chuvoso.

Nesta tentativa malsucedida de comédia que é um mix de Prenda-me se for capaz (2002) e O Mentiroso (1997), Steven Russel (Jim Carrey) é um homem que vive de mentiras até sofrer um acidente e decidir viver sua verdadeira identidade homossexual. Começa a dar golpes para sustentar seu novo estilo de vida, acabando na prisão. Lá ele conhece o sensível Phillip Morris (Ewan McGregor) e passa a viver um romance cheio de mentiras e trapaças, sempre se metendo em encrencas. Depois de tudo percebe por si só que seus dramas pessoais – que não são poucos – deixaram-no sem uma.

As estereotipações são infinitas, e a forma caricatural de Carrey interpretar seus personagens de comédia influencia para deixar todo o filme com uma identidade visual própria, mas de mau gosto. A participação de Rodrigo Santoro como o primeiro namorado de Steven é pequena e indigna de lhe garantir um espaço no cartaz de divulgação, não fosse o fato de ele ser um chamariz do público brasileiro para as salas.

Na 33ª Mostra de Cinema de São Paulo, o filme – ainda sem título em Português – foi exibido com a presença dos diretores e, na ocasião, amplamente criticado pelo público justamente pelos excessos cometidos, que o torna tão crível quanto um de Chuck Norris. Gay. Portanto não espere grandes coisas. Vendido como um filme de comédia inteligente, deixa a desejar muito. Vendido como um filme de comédia divertidíssimo, não passa nem perto. Vendido como uma tragicomédia da vida real, exagera. Vendido como um filme icônico, definitivamente não se enquadra. Phillip Morris, enfim, não tem porquê ser tão amado.

Titulo Original: I Love You Phillip Morris (2009)
Diretores: Glenn Ficarra e John Requa
Roteiristas: Glenn Ficarra e John Requa
Elenco: Jim Carrey, Ewan McGregor, Rodrigo Santoro e Leslie Mann
Duração: 102 minutos

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O Escritor Fantasma

O diretor Roman Polanski, em prisão domiciliar no momento graças à acusação de ter atacado uma menina, acaba de provar que sua genialidade ainda existe e é forte. Sua obra mais recente, O Escritor Fantasma, é um thriller de primeira e, desde a primeira cena, joga o espectador na trama para não mais tirar.

Na obra, Ewan McGregor vive um escritor contratado para escrever a autobiografia do ex-primeiro ministro britânico Adam Lang em nome dele. Para isso, viaja até os Estados Unidos, onde Lang está escondido devido à acusações de crimes contra a humanidade. Além do primeiro ministro, o escritor também encontra na casa Amélia Bly, assistente de Lang e a esposa Ruth.

E em torno dessa história que o escritor vai descobrindo informações não tão publicáveis do político e, cada vez mais, sendo envolvido por essas histórias. Para assegurar o bom resultado de seu filme, Polanski contou com um elenco bastante afinado. Olivia Williams vive a amargurada e enclausurada esposa de Lang, que morre de ciúmes da assistente extremamente metódica e protetora vivida por Kim Cattrall (provando que pode sim ir além da despachada Samantha de Sex and The City). Para viver o primeiro ministro o escalado foi Pierce Brosnan, em um papel competente após anos sem destaque.

Mas a estrela máxima é, sem dúvida, Ewan McGregor. Cada dia mais impecável em sua atuação, o ator consegue, apenas com sua personagem, equilibrar o tom de suspense e os momentos mais leves, com seu senso de humor incompreendido. Uma interpretação magistral.

Além disso, toda a ambientação da obra ajuda a criar o clima tenso com a falta de cores vibrantes e o eterno clima úmido, e interpretações de movimentos contidos, gerando uma imersão completa. O desfecho, não revelado nesse texto, é perfeitamente encaixado na obra e faz do roteiro uma obra claramente literária e sem pontas soltas.

Roteiro, ambientação, elenco e direção. Uma combinação primorosa que gerou uma obra prima do cinema. Condenado ou não, o talento de Polanski é indiscutível e, mais uma vez provado. Obra de mestre.

Por André Sobreiro


The Ghost Writer

Polêmicas pessoais deixadas de lado, o talento do diretor Roman Polanski é inegável. Autor de sucessos como O Bebê de Rosemary, Chinatown e O Pianista, o diretor chega agora aos cinemas com seu primeiro filme atual após seis dramas épicos, The Ghost Writer, adaptação do livro de Robert Harris.

O personagem título é vivido por Ewan McGregor, encarregado de redigir as memórias de Adam Lange, um ex-primeiro ministro da Inglaterra vivido por Pierce Brosnan. Em suas buscas, porém, acaba se deparando com alguns fatos que podem gerar um escândalo internacional. Completam o elenco Jim Belushi, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Kim Cattrall e Olivia Williams.

The Ghost Writer não tem data de estreia prevista no Brasil.


I Love You Philip Morris

Rodrigo Santoro, novamente. Nenhum ator brasileiro tem hoje a projeção que ele tem (e sim, eu gosto dele de verdade, a despeito de comentários sobre o fato dele fazer papeis menores). O ator agora poderá ser visto com um affair de Jim Carrey em I Love You Philip Morris. Na trama, Carrey é Steven Russel, ex-oficial que se apaixona por um colega de cela, o Philip Morris do título, vivido por Ewan McGregor. Após a liberdade, Russel tenta milhares de maneiras de encontrar Morris. Além do brasileiro, podemos esperar, com certeza, boas interpretações de Ewan McGregor, sempre excelente para mim e Jim Carrey, que se mostra a cada dia um ator mais versátil.


Anjos e Demônios

Já escrevi bastante sobre esse filme em matéria da Revista Paradoxo. Mas ainda assim, acho que valem algumas impressões aqui. Em primeiro lugar, Tom Hanks ainda cativa. E Robert Langdon, o simbologista vivido pelo ator, também. Disso já temos muito do carisma do filme.
 
Além disso, alguns erros cometidos na primeira obra foram dizimados dessa. O primeiro deles – e eterno motivo de vaias e xingamentos à minha pessoa – é a inexistência da Audrey Tautou. Ok, ela não está na obra literária e não estaria no filme. Mas no primeiro, a francesinha não convence como Sophie Neveu, o par romântico não cola e o resultado é uma
 dupla insossa. No novo filme, Vittoria Vetra é uma biofísica que ajuda Langdon. Mas sua participação beira a irrelevância. Langdon é o herói. É um Batman sem Robin. Que funciona melhor sempre.
 
Outro erro foi a tentativa de fidelidade ao livro. Todo mundo critica filmes com a fala “ah, mas o livro é melhor”. Claro! A ficção criada pela sua cabeça é sempre melhor. Mesmo que o cara seja um gênio, a sua imaginação é obviamente mais confortável para você. Anjos e Demônios pegou o eixo e se permitiu criar em cima. Mais um ponto positivo.
 
Itália. Ela é linda, sua história é milenar. Criar um thriler de ficção que envolve símbolos e usar a Itália é uma jogada certíssima. Eles tem, no coração de Roma, a Cidade do Vaticano, outro país com toda uma história e símbolos e mistérios que aguçam a curiosidade de qualquer um. Usar o Louvre é legal? Claro, eles tem a Monalisa. Mas Roma e o Vaticano são tão mais envolventes e fascinantes que o teto da Capela Sistina vira apenas uma imagem no filme todo. E mais: O Louvre dá pra ir sempre (basta a grana e todo o bla bla bla). Já os arquivos históricos do Vaticano. Isso é mistério de verdade.

 
E o filme tem o Ewan McGregor. Pode não ser seu papel mais desafiador, nem o que mais nos envolvemos. Mas ainda assim ele é bom. No papel do Camerlengo Patrick, McGregor representa muito bem a história e valores da Igreja Católica, dividida entre o moderno e o tradicional.
 
Em suma, Anjos e Demônios não é impecável. Tem suas falhas de ritmos, momentos mais cansativos, mas ainda assim, bem melhor que seu antecessor e ótima diversão.

Trainspotting

O nono filme da minha vida mexeu com a minha pureza. Não que quando eu assisti esse filme ainda fosse um rapaz casto e virginal. Mas ver Trainspotting e não sair minimamente abalado é impossível.


O filme, de 1996, conta a história de quatro jovens e como se envolvem com o submundo escocês e o próprio submundo em busca de heroína. Dirigido por Danny Boyle, é baseado no livro de mesmo nome de Irvine Welsh e tem no elenco nomes como Ewan McGregor, Ewen Bremmer, Jonny Lee Miller e Kevin McKidd.

E o impacto vem da força das cenas. Do monólogo inicial “Choose life. Choose a job” a cenas como a viagem com o bebê engatinhando no teto, Trainspotting nos conduz ao delírio e vertigem e estranhamento são palavras mais que comuns ao se referirem ao projeto.


Claro que um filme como Trainspotting não passaria ileso. Bob Dole, senador dos Estados Unidos na época, criticou duramente o filme alegando que ele fazia apologia às drogas. A mesma crítica aconteceu em outros países, como o Reino Unido. No outro extremo, o filme foi indicado ao Oscar e ao Bafta de melhor roteiro adaptado, ao Bafta de melhor filme britânico e outros prêmios. Pra quem nunca assistiu, segue a cena inicial, já mais que clássica.